terça-feira, 5 de maio de 2015

A Medicação

Ao fim de anos a ir ouvindo falar sobre os medicamentos, lá iniciamos o concerta.
Confesso que não via vantagem nenhuma e mesmo agora não vejo aquelas coisas maravilhosas que todas as pessoas falam. Para mim, a grande vantagem é ter a minha filha mais interessada pelas coisas, pela escola, pelos trabalhos... e aí noto uma diferença enorme!!!!
As coisas lá caem menos, ela não se levanta tantas vezes, não começa uma frase a falar de uma coisa e caba a falar de outra...
Não estou convencida, na verdade... mas também não estou decepcionada!

terça-feira, 31 de março de 2015

Noite 2 e 3

No segundo dia, as chefes e a familia estiveram numa constante comunicação... Vai busca-la, não vai, vai buscá-la, não vai e, não fomos.
Com as palavras e paciência infinita das chefes, ela lá ganhou confiança para ficar mais uma noite.
Citando o sms da chefe, às 11 e tal da noite, entre a M e um menino que estava a choramingar...
M: estás com saudades dos teus pais? Eu percebo, mas olha, isso é só uma fase, eu também passei por isso, mas já ultrapassei essa fase..... (Sim, ultrapassou 5 minutos antes... mas a verdade é que ultrapassou).
Estas noites serviram para que ela também acreditasse nela, que se superasse, que vencesse os medos e provar a si mesma que consegue... 
Os pais à distancia estão muito felizes!
Estamos todos de parabéns, mas sobretudo as chefes que foram extraordinárias e a minha pequenita que deu mais um passo para crescer.
;-)
Por cá, as saudades são imensas, tantas que às vezes me falta o ar... mas estou tranquila, sei que ela está bem e esta experiência está a ajuda-la a vencer-se!!!!

domingo, 29 de março de 2015

Escuteiros....

Durante a minha infância tive uma animosidade com os escuteiros... Não com os escuteiros em geral, mas com as escuteiras em particular. Baden Powel não quis se houvessem escuteiras e a 22 de Fevereiro, depois de um grupo de raparigas se apresentar fardada, ele cria as Guias. 
Eu fui Guia de Portugal, com todo o orgulho e reconheço hoje, que aqueles anos me ajudaram a crescer, a formar caracter, a ser desenrascada, a cumprir regras e a ser espontânea ao mesmo tempo.
Não havendo Guias de Portugal aqui.... engoli a minha animosidade, pensei no bem superior da minha filha e, não só a inscrevi nos escuteiros, como a "forcei a ir" usando todo suborno, chantagem e todas as armas que uma mãe, às vezes, tem de usar. Acredito que ser escuteiro faz bem a todas as crianças e à minha  faz ainda melhor. 
Aos poucos lá foi ela, sábado atras de sábado feliz e contente, e durante a semana estava toda feliz pelas actividades e pelos novos amigos que fez.
Como todos bons escuteiros tinha de vir o dia do primeiro acampamento.
Lá se aguentou (mal) uma noite. Vamos a caminho da segunda....
Mas mesmo que a tenha de ir buscar hoje, sei que o que ela cresceu estes dois dias já ninguém lhe tira.
É tudo um processo... às vezes cansa porque não há aquisições fáceis... mas neste, à semelhança de todos, vamos tentando, valorizando cada vitória e aprendendo com cada derrota.
A minha filha teve muita sorte. Tem uma chefe Fantástica
e Maravilhosa, respeitante das especificidades da Madalena e atenciosa com os pais. Tenho a certeza que está muito bem entregue. E esta noite estive feliz!


Lady Baden Powel


quarta-feira, 4 de março de 2015

Dispraxia

Dispraxia: O que é? Muitas vezes as crianças apresentam dificuldades difíceis de caracterizar e que afectam o seu desenvolvimento e o seu dia-a-dia, condicionando, não só a sua aprendizagem, como também despoletam sentimentos de ansiedade e frustração nela própria e nos pais. Uma dessas dificuldades designa-se de dispraxia. O que é a dispraxia? A dispraxia é um défice, ou dificuldade em planificar, coordenar, executar e auto-regular movimentos voluntários especializados, relacionados com uma determinada actividade (ex: copiar figuras geométricas), e que são realizados de forma lenta, imprecisa, desintegrada e dessincronizada. As causas da dispraxia ainda não se encontram totalmente clarificadas, mas como existem diversas formas de dispraxia, existem, igualmente diversas causas. Um factor que se encontra clarificado é que estas crianças não apresentam défices físicos ou neurológicos, que possam explicar os quadros existentes. Por outro lado, este défice encontra-se relacionado com uma perturbação da organização cerebral, a qual deve garantir um processo psicomotor ajustado e adequado de qualquer aprendizagem, possibilitando assim um desenvolvimento de aptidões harmonioso. Alguns tipos de dispraxia Dispraxia motora – Incluem dificuldades ao nível do esquema corporal e atraso na organização motora (mov. utilitários: vestir, comer, etc). Pode, igualmente, estar associada a lentidão, imprecisão e dificuldades de planificação de movimentos simples: aquilo a que vulgarmente se chama criança desajeitada ou trapalhona. Dispraxia espacial - Caracterizada por uma desorganização do gesto, do esquema corporal e das relações com o espaço. Podem surgir, dificuldades de seriação e classificação, bem como de utilização de conceitos (ex: alto, baixo, etc) Dispraxia postural - Dificuldades na postura, que se reflectem num movimento realizado sem ritmo, e com pouco controlo. Estando o termo dispraxia, intimamente ligado, às dificuldades no movimento, torna-se importante enunciar alguns sinais evidenciados pelas crianças e suas implicações.  Sinais e Consequências Ao nível perceptivo Noção do corpo pobre – Causa dificuldades na orientação espacial e na coordenação das acções; Dificuldades na visão tridimensional – Causa dificuldades na percepção das distâncias entre objectos estáticos e em movimento, dificultando a adequação da reacção ou resposta por parte da criança. Ao nível da planificação Dificuldades na realização de movimentos sequenciais, levando a dificuldades na planificação e antecipação “do que vem a seguir”; Dificuldades de generalização – Pobre capacidade de adaptação de movimentos aprendidos a situações diferenciadas. Ao nível da realização motora Fraco controlo postural - Provoca fraca estabilidade, dificultando a realização de movimentos rápidos; Fraco controlo no uso da força – Dificulta a realização de acções de forma adequada; Falta de dominância lateral – Provoca confusões entre esquerda e direita, dificultando a orientação no espaço; Dificuldades no discurso verbal, devido à falta de controlo dos músculos da boca. Pensamos que, todos aqueles que interagem com crianças e jovens deverão estar alerta para esta problemática, uma vez que um despiste precoce, complementado com um acompanhamento especializado, pode ser, muitas vezes determinante, para o futuro daqueles que apresentam este tipo de défice, e que constitui frequentemente o primeiro sinal para o surgimento mais tarde de dificuldades de aprendizagem escolares. 



http://www.corpe.pt/dispraxia_conceito_tipos.pdf

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Os Testes

Os testes são fichinhas ou trabalhos que requerem que eu esteja atenta ao que faço. Pedem-me para responder a umas perguntas numa folha A4 cheia de linhas e eu tenho de responder apenas e só À pergunta. Ok, parece fácil... mas ninguém imagina que na 3º palavra da pergunta a minha cabeça já voa com a mosca que teima em chamar-me na janela. Tenho de responder, digo a mim própria. Pego na caneta e as palavras começam a surgir na minha cabeça, como se fosse um explosão de ideias. A meio da frase, já as fadas, unicórnios e toda uma outra história já se apoderaram da minha mente e da resposta à pergunta.
A letra já é uma amalgama de bolas e riscos, que depois tento apagar...
Ok, volto a pensar na resposta. Letra bonita, pego na caneta como deve de ser... mas qual era a pergunta mesmo? Ah, ja sei, pego na caneta, letra bonita e cai a borracha ao chão. Responde M... responde... volto a pegar na caneta, leio o texto, penso na resposta... ah, não apanhei a borracha. Volta ao principio, leio o texto, respondo à pergunta, pego na caneta, sento-me direita na carteira, letra bonita..... Começo a escrever, mas não é bem isso que quero escrever. Apago. Cai a afia, levanto-me e apanho a afia, sento-me... sim direitinha na carteira, pego na caneta, o que tenho de fazer mesmo?  Ja nem sequer penso porque é que estou sempre a deixar cair as coisas....
Bolas, e a mosca que me continua a chamar?



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O diagnostico Parte 1

A M. foi diagnosticada com 4 anos.
Na altura, tinha um nome, mas não tinha um referente. Não sabia o que era, o que queria dizer... valorizei muito mais a laterarlidade do que a dispraxia.
Na verdade, só na iniciação escolar é que percebi o quanto eu estava longe do que se passava com a M. Não sabia o que era, o que queria dizer....
Agora com 8 anos, eu sei mais um pouco... mas ainda sem grandes certezas, ando às apalpadelas, num jogo de tentativa-erro que às vezes, só às vezes, consigo ganhar.
Este blog é para me ajudar a não esquecer o caminho que foi percorrido....
Partilhar, trocar informações, dicas, sugestões, experiências é fundamental para quem se sente às escuras para ajudar a pessoa que mais ama... o seu filho!

O Blog

Como mães, estamos preparadas para tudo... O que na verdade, quer dizer que não estamos preparadas para nada.
E porque não adianta prepararmo-nos para o "impreparável", cada dia junto dos nossos filhos torna-se uma maravilhosa viagem, sem cinto de segurança, com os melhores companheiros de Viagem.
Como mães e pais, queremos que os nossos filhos sejam felizes, bons seres humanos, mas também queremos que conquistem o MUNDO.... o seu mundo.
Esta é a luta de uma mãe que quer isto tudo e mais ainda.... que a minha filha não fique aquém do que pode e quer ser...
A dispraxia não a define, nem é maior do que ela.
É só isto...não é pedir muito, pois não?